sábado, 7 de fevereiro de 2026

O poema-canção "Mestre dos Pretextos", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), é um mergulho sarcástico no jogo das aparências, da manipulação e da dissimulação social.


O poema-canção "Mestre dos Pretextos", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), é um mergulho sarcástico no jogo das aparências, da manipulação e da dissimulação social. 

Abaixo, uma análise dos pontos centrais da obra:

1. Análise Temática

A Ironia do Tempo: O eu lírico utiliza o exagero para ridicularizar o imediatismo moderno. Ao dizer que "Eras imemoriais" equivalem a "trinta ou quarenta minutos", ele satiriza a intensidade dramática de interações triviais e a efemeridade das relações contemporâneas.

O Orgulho da Mentira: Diferente de quem se sente culpado por mentir, o locutor se vangloria. Ele se descreve como um artesão ("pedra bruta esculpida", "talento lapidado"), tratando a falsidade como uma belas-artes ou uma disciplina estratégica.

Confronto e Superioridade: Ao dirigir-se a uma "mademoiselle", o eu lírico estabelece uma hierarquia. Ele a chama de amadora e se posiciona como um "general". O poema deixa de ser um desabafo para se tornar um desafio intelectual e psicológico.

2. Estrutura e Estilo

Linguagem Oximórica: O autor brinca com contradições como "estabilidade pueril" e "frases curtas em longos textos". Isso reforça a ideia de que nada é o que parece ser; o conteúdo é "oco", mas a forma é imponente.

Tom Cínico: A voz poética é ácida. A metáfora do "banquete aos canibais" sugere que a comunicação humana, quando feita apenas de palavras belas e vazias, é predatória e autodestrutiva.

O Título como Identidade: O "Mestre dos Pretextos" não é apenas alguém que dá desculpas, mas alguém que domina a narrativa. Ele avisa que conhece todos os truques, tornando-se imune à manipulação alheia porque ele é o arquiteto da própria farsa.

3. Conclusão

O poema é uma crítica à superficialidade das interações e ao uso da linguagem como arma de poder e ocultamento. É o autorretrato de um "anti-herói" moderno que prefere a estética da mentira à crueza da verdade.

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Mestre dos Pretextos
Michel F.M.

Um indivíduo sociável
Em estabilidade pueril

Não subestime a descrença
Tudo que decorre é premeditado
Ainda que subitamente

Há muito, mas muito tempo
Cerca de trinta ou quarenta minutos
A verdade veio à tona
Necessidade incontrolável
De mentir para ti

Tem sido assim
Desde Eras imemoriais
Surtos acalorados
De falsas promessas

Uma culpa minha
Particular e exclusiva
Talento nato, lapidado
A pedra bruta esculpida

Então essa conversa fiada
Contrastou em meus ouvidos afiados
Combinações de palavras belas, ocas
Dentes e bocas, um banquete aos canibais

Comigo não, mademoiselle
Deixe de amadorismos
Estás num campo a desbravar
Onde comandam generais

Dialoguemos pois
Frases curtas em longos textos
Não me venha com desculpas
Está diante do Mestre dos Pretextos

[2020]

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